domingo, 6 de janeiro de 2008

 

NÃO TENHO

.
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente onde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não onde penso.
Só me posso sentar onde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra cousa,
E somos vadios do nosso corpo.

Alberto Caeiro

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Comentários:
Estive um tempo sem Pc e acho que me atrasei nos votos de um novo e feliz ano, mas quero deixar-te meu carinho e agradecer por tua presença em meus dias.

Um ano de amor, sabedoria , indulgência, humildade e discernimento a todos nós!
 
é uma maravilha este poema...

foi bom relê-lo.


beijinhos
 
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