quinta-feira, 26 de julho de 2007

 

CARTA DE UMA MÃE

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Ainda sobre o acidente aéreo, com um avião da TAM no aeroporto de Congonhas, em S. Paulo - Brasil, ESTADAO publicou e HIPPOS reproduziu, a carta, que a seguir transcrevo dispensando-me de comentários.
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Aos governantes e a famIlia brasileira,
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Perdi o meu unico filho.
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Ninguem, a nao ser outra mae que tenha passado por semelhante tragedia, pode ter experimentado dor maior. Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade a missa que ontem oferecemos a alma de meu filho, Luis Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lagrimas. Lagrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catastrofe do Aeroporto de Congonhas.
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HA muito eu sabia que desastres aereos iriam acontecer. Sabia que os voos neste pais nao oferecem seguranca no ceu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aereos superou o respeito a vida humana. A culpa e lancada sobre um numero insuficiente de mal remunerados operadores aereos ou sobre as condicoes das turbinas dos avioes. Um Governo alheio a vaias e responsavel pelo desmonte de uma das mais respeitaveis e confiaveis empresas aereas do mundo, a VARIG, em beneficio da TAM, desde entao, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opiniao publica e desviada para supostos erros de bodes expiatorios, permitindo aos ambiguos incompetentes que nos governam continuarem sua acao impune.
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Que nossos aeroportos nao tem condicoes de atender a crescente demanda de voos cujo preco e o mais caro do mundo. Quando os usuario aguardam uma explicacao, a falta de respeito ao cidadao juntam-se o escarnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem. Assuntos de alcova nao condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercicio de cargos publicos. Assessores do presidente deste pais eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a seguranca de nosso povo exibindo gestos pornograficos. Gestos mais apropriados a bordeis do que a gabinetes presidenciais. Ao inves de se arrependerem de uma conduta chula, incompativel com a dignidade de um povo doce e amavel como o brasileiro, ainda alardeiam indignacao, unico sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo trafego aereo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o pais ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas sao as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecoracoes do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nacao, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.
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Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras maes, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao proximo obrigam-nos a esquecer a propria dor.
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Nao pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagogicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um habil redator, dirigido mais a opiniao publica do que a nossos coracoes, ao nosso luto, as nossas vítimas. Palavras que soaram tao falsas quanto a forcada e patetica tentativa que demonstrou ao simular uma lagrima. Nao, francamente eu nao merecia ter de me submeter a mais essa provacao nem necessitava presenciar a estupida cena: ver o chefe da nacao sofismar um sofrimento que nao compartilhava conosco.
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Senhores governantes: ha dias vejo o mundo atraves de lagrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lagrimas sinceras e puras de todos os coracoes amigos. Ha dias, da forma mais dolorosa possivel, aprendi o que e o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor e inefavel, o amor e um sentimento despojado de interesse, nao recorre a histrionicas atitudes politicas.
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Nao jorra das bocas, flui do coracao!
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E que Deus nos abencoe!
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Adi Maria Vasconcellos Soares
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Porto Alegre, 21 de julho de 2007.

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Comentários:
Também li o artigo da Lucy.
É um verdadeiro grito de desespero desta mãe.

Parabens pela divulgação.

Um abraço
 
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