domingo, 22 de abril de 2007

 

AFRIKA KORPS

Título Original: AFRIKA-KORPS
Autor: PAUL CARELL
Tradução de: Augusto Sousa
Editora: Livraria Bertrand

A "Segunda Guerra Mundial" foi, para além da série de atrocidades e violências que, só por si, chegam para definir a guerra, ocasião para se afirmarem algumas das mais nobres qualidades humanas.
No meio do pandemónio dos tiros, dos bombardeamentos, das deportações e das fugas desordenadas, ficou espaço para uma certa ordem, para uma determinada coerência, só possíveis de conseguir se o génio ou a indómita fé de um homem de excepção as impõe.
Na "batalha do deserto", nas areias escaldantes da África do Norte, esse homem foi Erwin Rommel, um dos maiores arquitectos da moderna estratégia militar, uma espécie de monstro sagrado dos palcos de luta; essa ordem foi a retirada magistral do Afrika-Korps.
Herdeiro das velhas tradições militares alemãs, discordante das concepções terrorísticas da guerra partilhadas pelos nazis - de quem viria a ser vítima, aliás -, Rommel foi o adversário nobre e heróico, o exemplo do poder criador do homem ocidental, vinculado a um tipo de civilização que, ao contrário do que se passava na Alemanha de então, funda as suas raízes na razão e no livre curso da inteligência.
Hoje Rommel entrou na História - melhor, na lenda - e isto tanto nos corações dos seus seguidores e compatriotas como nos dos seus adversários, à cabeça dos quais se encontrava outro gigante da guerra e seu vencedor incontestado: Montgomery.
AFRIKA-KORPS é a história minuciosa de uma ilusão, a gesta de um sonho: o sonho da conquista do deserto imenso, crisol onde se decanta o heroísmo, campo-santo de bravos. Nessa aventura, quase quimérica, estampou Rommel a cor da sua imaginação, a justeza dos seus raciocínios; na verdade, toda a campanha teria sido um episódio mais a acrescentar aos mil episódios da guerra se esse exército temerário, que se chamou Áfrika-Korps, não tivesse tido como comandante este homem singular que escolheu o meio terrível da guerra para demonstrar à posteridade que o espírito humano não perece nunca, mesmo quando a terra de que se alimenta seja a areia seca do deserto e a água que o fertilize, o ódio, a obstinação e o medo.

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Comentários:
Amando,lendo, sonhando, sorrindo...
Beijinhos embrulhados em abraços
 
Creio ser a primeira vez que visito este blogue e a impressão é deveras positiva pela sua grande qualidade e interesse. Parabéns.
 
Peço imensa desculpa, mas somente depois de ter escrito o outro comentário e de ter ido “embora” me recordo que já visitei este blogue.

Claro que isso não retira a verdade e espanto positivo que ali expressei, como leitor assíduo que sou.

Gosto imenso desta página pela sua valia cultural, um trabalho sempre apreciável. Já há muitos anos que por opção minha, somente leio livros de História, biografias, heráldica, genealogia, etc. Boa semana, à parte da minha confusão.
 
Permito-me discordar quanto à equiparação de grandeza militar de Erwin Rommel face a Bernard Montgomery.
Monty foi uma imposição política e a provar esta afirmação está que qualquer das operações que delineou na IIGM nunca ter figurado nos manuais de estratégia de qualquer escola militar, inclusive Sandhurst.
Mais, a técnica de envolvimento vertical usada na operação Market Garden, que causou a perda de 96% da 1ª Divisão Aerotransportada Britânica, causaria a exoneração imediata de qualquer chefe militar, só que Churchill não tinha mais ninguém emblemático e assim os aliados tiveram de engolir o arrogante Montgomery até ao fim.
Mais tarde nas Ardenas, a 101ª Aerotransportada dos US só não socumbiu em Bastogne graças á intervençaõ de Patton, que colocou um Exérici blindado, o IV, em marcha em apenas três dias.
Gosto de ler Paul Carrel, mas teria aqui que forçosamente enaltecer o brilhantismo da Raposa do Deserto, o melhor aplicador do conceito de armas combinadas de Heinz Guderian, face a um Montgomery que sem a força dos números nada fez.
Um abraço
 
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